Entrevistei nesta quarta-feira, dia 7, Sérgio Fracalanzza, professor do Departamento de Microbiologia Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que alertou para o fato de que 20% dos ocupantes de um edifício experimentam efeitos agudos na saúde, que parecem estar relacionados ao tempo que passam no prédio. Muitas vezes casos freqüentes de febre, tosse, frio e dores musculares em pessoas confinadas em alguns ambientes podem indicar a presença da Síndrome do Edifício Doente (SED). Infelizmente, como o Brasil não tem tradição estatística, faltam estudos mais quantitativos quanto a incidência e extensão desse problema. Tivemos em 2002 nos Estados Unidos, uma pesquisa que registrou as conseqüências econômicas da má qualidade do ar nos ambientes de trabalho. Foi levada em cosnideração a diminuição da produtividade de cada empregado e o tempo de afastamento da empresa, algumas vezes necessário, sendo que o quantitativo revelou um prejuízo econômico de aproximadamente U$ 60 bilhões por ano.
Na época da morte do ministro das Comunicações, Sergio Motta, este problema foi levantado, mas rapidamente acabou esquecido. O que ocorre é que cada vez mais existe um processo de verticalização das construções, o que implica, em espaços mais reduzidos entre uma edificação e outra, o que implica em menor ventilação e falta de uma maior renovação do ar. O Prof. Fracalanzza diz que os corredores arejados deram lugar a aparelhos de ar condicionado, que tornam o ar viciado e propenso a contaminantes biológicos, poluentes químicos e inertes.
Este, sem dúvida, é um tema que deveria fazer parte das discussões sobre as condições dos ambientes de trabalho.
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