OS PAIS BRIGAM E AS CRIANÇAS SENTEM-SE CULPADAS



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Entrevistei a historiadora Mirian Botelho Sagim, que num trabalho de pesquisa junto a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, mostrou o quanto as crianças sentem-se culpadas quando os pais brigam até a agressão física. De acordo com a pesquisadora as agressões no ambiente familiar podem ter reflexos na vida fora de casa. O que ocorre, segundo a historiadora, a criança considera aquilo normal, pois não tem modelos positivos em casa como referência, logo, essas crianças tornam-se violentas. Foram relatados casos de agressões crônicas que evoluiram para um quadro de tortura, no qual o pai ou a mãe agressora usam de métodos hediondos para punir os filhos. Uma mãe chegou a queimar a mão do filho, como punição pelo fato deste ter roubado 10 centavos. Miriam constatou que as crianças não querem apanhar, preferem tentar resolver o problema, pois têm medo da família se desfazer e de serem mandados a abrigos. De um modo geral, os filhos gostam de ficar em casa quando não há brigas ou discussões, completa a historiadora;” eles querem apenas que os pais não briguem e não batam neles”.
Um trabalho de pesquisa muito interessante e que nos ajuda entender os desdobramentos sociais desses problemas no âmbito da nossa sociedade. Um dado interessante da pesquisa, foi que as crianças sentem muito mais a violência psicológica do que uma agressão física. A violência psicológica fica na memória e a criança carrega consigo por muito tempo. Aquelas que tem recursos podem contar com um auxilio psicológico, repararando os danos, mas a grande maioria formada de desvalidos fica desprotegida e acaba muitas vezes enveredando pelo caminho da marginalidade, em função das sequelas deixadas por experiências familiares negativas.

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