É o que mostra um estudo coordenado pelo professor Carlos Eduardo Larsson, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP.Um levantamento sorológico realizado com 427 cães atendidos entre 1997 e março de 2008 no setor de Dermatologia do Hospital Veterinário (Hovet) da USP mostrou que 117 deles apresentaram sorologia positiva para Leishmania spp., protozoário causador da leishmaniose visceral. O mosquito vetor é encontrado em zonas rurais, próximo a matas fechadas, motivo pelo qual a doença era considerada restrita a áreas silvestres ou rurais. Entretanto, este quadro tem mudado. De acordo com informações do site do Ministério da Saúde, nos últimos anos, a leishmaniose visceral têm atingido cidades de médio e grande porte. De acordo com Larsson, o primeiro caso alóctone (contraída fora da cidade) diagnosticado no Serviço de Dematologia do Hovet foi 1997. O cão era proveniente do Triângulo Mineiro e havia sido comercializado em um shopping paulistano. A partir daí, os pesquisadores decidiram realizar exames sorológicos e parasitológicos de cães com quadro clínico (sintomas e lesões) e mesmo de animais assintomáticos, mas provenientes de áreas endêmicas. Segundo o levantamento do Hospital Veterinário da USP, em 82% dos 117 casos (96 cães), foi possível apontar o local onde, pressupostamente, ocorreu a infecção. As cidades com o maior número de casos de infecção foram: Cotia, Guarujá, Ibiúna, Embu das Artes, Itanhaém, Atibaia, Bertioga e Caraguatatuba (no Estado de São Paulo), com 50 casos; em Belo Horizonte (MG), com 4 casos; além dos Estados de Rio de Janeiro, Bahia, Santa Catarina, Ceará e Rio Grande do Sul. Do exterior, foram apontados Portugal, Alemanha e Estados Unidos. Para os outros 18% (21 casos), não foi possível apontar a cidade onde possivelmente os animais foram infectados. O professor Larsson foi entrevistado no programa Trocando em Miúdos, desta quarta-feira.
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