Fevereiro 2009
Arquivo Mensal
A evolução do estilo jornalístico
Arquivo Mensal
Publicado por admin em 26 Fev 2009 | sob: ASSUNTOS DO DIA
Muita gente confunde enxaqueca com dor de cabeça, na entrevista ao programa Trocando em Miúdos o Dr.Abouch Krymchantowski, médico neurologista e Coordenador Técnico do Ambulatório de Cefaléias Crônicas do Instituto de Neurologia Deolindo Couto da UFRJ- Universidade Federal do Rio de Janeiro, deu uma aula sobre enxaqueca. Segundo o especialista, existem mais de 150 tipos de dor de cabeça, enquanto que a enxaqueca é apenas um desses tipos, mas seguramente é aquele que mais leva os indivíduos a procurar ajuda médica, embora não seja o tipo de dor mais freqüente que existe. Dr. Abouch, no entanto, ressalta que a enxaqueca não deve ser considerada apenas um tipo de dor de cabeça, visto que ela é uma doença herdada e transmitida geneticamente e que compromete determinadas substancias do cérebro, conhecidas como neurotransmissores. Um dos aspectos mais importantes quando se fala em enxaqueca é a questão ligada ao próprio diagnóstico da doença. O que ocorre é que muitas pessoas portadoras de enxaqueca podem não apresentar dor de cabeça, ou então com freqüência baixa, mas, contudo revelam outros sintomas, que podem ser desprezados por um não especialista. O médico destaca que pacientes podem perder parcial ou totalmente a visão de um lado ou dos dois, enquanto que outros pacientes têm crises de náuseas, suor frio, dormência em partes do corpo, o que pode evidenciar uma manifestação da doença neurológica chamada de enxaqueca. As crises de enxaqueca são características com dores intensas, acometendo a lateral e frente da cabeça. A dor pode estar associada a algum grau de enjôo e algum grau de maior sensibilidade a luz, barulho e cheiros. Quando surge a dor de cabeça, ela pode durar até três dias seguidos ou três dias indo e voltando, mas nem sempre a pessoa tem dor de cabeça quando tem enxaqueca e nem sempre a dor de cabeça da enxaqueca se manifesta de forma tão típica ou característica. Como a enxaqueca é uma doença genética, quem tem nasce com a doença e a pessoa pode manifestá-la em idades variadas. Nessa entrevista o Dr. Abouch nos conta que tem pacientes com quatro anos de idade. Por isso ele alerta para que quando surgir à dor de cabeça, os pais devem levar a criança, primeiro ao pediatra e depois ao neurologista, já que em muitas situações o que se observa é um profundo equivoco de confundir muitas vezes uma dor de cabeça da criança com questões ligadas a necessidade de usar óculos ou até mesmo uma sinusite. Se você quiser saber mais sobre a enxaqueca, acesse o nosso site, vá até “quadros/’, clique em “consulta médica” e você poderá baixar para o seu computador essa entrevista.
Publicado por admin em 25 Fev 2009 | sob: ASSUNTOS DO DIA
Entrevistamos a farmacêutica Vanessa Aparecida Marcolino, que desenvolveu sua tese de doutorado junto a Unicamp, estudou o emprego de corantes naturais em alimentos. A principal motivação para o estudo da farmacêutica ocorreu por conta dos problemas decorrentes do emprego de corantes artificiais. Esse corantes são conhecidos pelos problemas de intoxicação, alergias e alguns de características cancerígenas. As próprias indústrias têm procurado os corantes naturais, o que ocorre é que eles têm problemas de estabilidade, alem da variedade de cores que os artificiais têm e os naturais não possuem. Por tudo isso a farmacêutica, procurou através do seu estudo, analisar a estabilidade de alguns corantes naturais, para que os mesmos pudessem substituir os artificiais nas industrias de alimentos. A farmacêutica ponderou que aqui no Brasil tudo demora mais, pois somente após a proibição nos Estados Unidos é que a medida chegou por aqui, quanto a determinados corantes que hoje o uso é proibido. Isso contribui para uma visão meio pejorativa existente sobre o corante, no que a farmacêutica explica:”o corante nada mais é do que uma substancia que dá cor, então ele é importante para o alimento, para um aspecto visual melhor e despertar o interesse do individuo em consumir aquele produto!” Ainda hoje o emprego de corantes naturais encarece os produtos, o que de certa forma exerce fator inibidor quanto ao seu aproveitamento em larga escala pela industria. O que ocorre é que o mercado tem sido cada vez mais exigente, principalmente priorizando produtos naturais, o que de certa maneira pressiona o setor industrial para atender esse nicho do mercado.
Publicado por admin em 24 Fev 2009 | sob: ASSUNTOS DO DIA
Entrevistamos a administradora de empresa Nanci Frangiotti, que realizou o estudo “O espaço do carnaval na periferia da Cidade de São Paulo”, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. A Nanci entre 1989 e 1990 trabalhou na organização do carnaval de São Paulo. O que chamou a atenção da Nanci foi o esforço que as pessoas, principalmente da periferia, fazem no sentido de conseguir levar até a avenida o desfile da sua escola de samba. As principais escolas de samba, dos grandes centros, como Rio e São Paulo, criaram um carnaval profissionalizado com grandes espetáculos verticalizados, carros alegóricos grandes, mas o carnaval sobrevive mesmo por conta das pequenas escolas de samba. As escolas menores, dependem muito das suas comunidades, isso colabora para se trabalhar o ano todo. No Rio de Janeiro, a Cidade do Samba, é uma verdadeira indústria do carnaval, que fomenta o turismo o ano inteiro, se constituindo numa importante frente de trabalho. O trabalho de pesquisa da Nanci sobre o carnaval na periferia de São Paulo, segundo ela:”foi uma experiência muito rica, principalmente em termos de solidariedade e sociabilidade, já que a escola pequena depende muito da sua própria comunidade.” O que mais impressionou a pesquisadora foi que todo esse trabalho desenvolvido pela comunidade é voluntário, não só no período que antecede o carnaval, mas as festas que se fazem durante o ano, para manter a escola. O próprio espaço da escola, durante o ano, é cedido para outros eventos, tudo com objetivo de levantar recursos para a manutenção. Exceto por uma ocorrência recente sobre uma bala perdida que matou uma adolescente no Rio, no espaço das escolas de samba é muito raro qualquer preocupação com o tema segurança. A própria comunidade cria um código moral interno que se torna conhecido, existe um controle social interno e conseqüentemente o espaço fica preservado. O trabalho da Nanci Frangiotti foi feito junto a escola de samba de Perus, que é um bairro estigmatizado pela violência. Ela conta que tinha uma espécie de blindagem, ou seja, pelo fato de todo mundo no bairro ter conhecimento do trabalho de pesquisa, ela nunca foi incomodada ou sofreu qualquer tipo de ameaça, isso evidencia a existência de uma competente rede de informação, que permite um certo controle social no próprio bairro.
Publicado por admin em 23 Fev 2009 | sob: ASSUNTOS DO DIA
A anemia falciforme se caracteriza por uma deformação das hemácias que são os glóbulos vermelhos.Os glóbulos deformados, alongados, nem sempre conseguem passar através de pequenos vasos, bloqueando –os e impedindo a circulação do sangue nas áreas ao redor. A forma comum da Anemia Falciforme ( Hbss ) acontece quando uma criança herda um gene da hemoglobina falciforme da mãe ou do pai . Normalmente os sintomas surgem a partir dos seis meses de vida da criaça, sendo que os sintomas são crises dolorosas provocadas pela obstrução de pequenos vasos, dores que podem se tornar extremas e passar ao
abdômen, tórax e articulações. Há crianças que apresentam inchaço bastante doloroso nas mãos e nos pés,e aquelas muito suscetíveis a infecções bacterianas, como pneumonias e meningites. Um estudo da pesquisadora do Hemocentro da Unicamp, Carla Fernanda Franco Penteado, procurou investigar a relação de uma determinada enzima com a anemia falciforme. O aumento da quantidade dessa enzima já foi relatado em outros estudos como câncer, hipertensão pulmonar, pneumonia e doenças cardiovasculares. A anemia falciforme afeta principalmente a população negra, mas devido a miscigenação de raças ela pode ser encontrada em indivíduos da cor branca. O estudo da Profa Carla demandou dois anos, trabalhando com aproximadamente 60 pacientes portadores da anemia falciforme. Foram formados dois grupos , os que estavam em tratamento e aqueles que não faziam tratamento, o que ensejou uma observação sobre as diferenças quanto a presença da determinada enzima. Este foi o primeiro estudo sobrelação entre as enzimas metaloproteinases (MMPs) com a anemia falciforme. O próximo passo do projeto divide-se em duas etapas, primeira avaliar se essas enzimas são alteradas em pacientes com doenças pulmonares e ainda um estudo em camundongos transgênicos para anemia falciforme e investigar melhor a presença dessas enzimas no modelo animal.
Publicado por admin em 19 Fev 2009 | sob: ASSUNTOS DO DIA
Este adágio popular se aplica com muita propriedade, quando o assunto é intoxicação alimentar. Este foi o tema de uma entrevista com o medico infectologista Dr. Edimilson Migowski. Intoxicação alimentar é a ingestão de alimentos que tem toxinas ou então bactérias que produzem essas toxinas. O estafilococos, muito comum em maioneses contaminadas, é responsável por infecções. Dependendo da quantidade de toxina (bactérias) ingeridas o quadro pode se agravar levando até mesmo à pessoa a morte por diarréia e desidratação. A toxina botulínica, também pode provocar desde o botulismo, ate quadros de diarréias que levam a desidratação. Por isso os alimentos consumidos devem ser bem lavados, higienizados, cozidos e armazenados de forma adequada. Dr. Edmilson ressalta que a salmonela, principalmente em alimentos de origem animal, ovo mal cozidos ou embutidos mal feitos, a bactéria provoca um grande dano, sendo por isso considerada a grande vilã dos alimentos. Quando você for comer em self-service, os cuidados devem ser redobrados. O espaço de tempo entre o consumo do alimento e a intoxicação esse é variável. De acordo com o infectologista, no caso dos estafilococos, depois de meia hora você já pode ter os sintomas. Em outras situações como a salmonela, a demora pode chegar a doze até vinte e quatro horas. Por outro lado no caso da hepatite A, a demora pode ser de 15 a 50 dias, o que fica difícil saber o que foi consumido que gerou o processo de intoxicação.
O Dr. Edmilson dá dicas para aquelas pessoas que por causa da falta de tempo, acabam fazendo refeições rápidas, na rua. Comer legumes cozidos, frutas que foram descascadas, evitando colocar gelo na bebida, pois o gelo pode ter sido feito com água não filtrada. Observar a aparência e higiene de funcionários que manipulam e servem a comida. Com base nessas observações você pode prevenir situação que possam gerar uma intoxicação alimentar.
Publicado por admin em 18 Fev 2009 | sob: ASSUNTOS DO DIA
Entrevistamos a professora Ana Flávia Nogueira, do Instituto de Química (IQ) da Unicamp, que lidera um grupo de cientistas que desenvolve novas tecnologias para o aproveitamento da energia solar. Desde 1996, esse grupo tem procurado descobrir alternativas mais baratas , construindo células solares para o aproveitamento da energia solar, convertendo em eletricidade. O trabalho é no sentido de desenvolvimento de painéis solares convertidos em eletricidade. OPs painéis solares existentes hoje são a base de silício, que são caros e tendo de ser importados. A idéia do grupo foi do aproveitamento de produtos mais baratos, utilizando a tecnologia nacional. Um dos dispositivos dessas células solares é o óxido de titânio que nada mais é do que o pigmento branco das tintas de paredes. Este é o material base desse dispositivo que vem sendo desenvolvido. A primeira aplicação que está sendo testada é a “in door” , ou seja para os ambientes de uma casa ou até mesmo um escritório, onde não existe uma luminosidade muito elevada. Aplicações desde brinquedos, equipamentos como calculadora, cartões inteligentes, carregadores de celular, laptop e outros. Funcionaria da seguinte forma, você colocaria um painel solar na sua mesa e automaticamente com a luz da sala, você poderia estar carregando os componentes. Considerando que o Brasil é um país com grande extensão territorial, onde muitas vezes o custo de se levar a energia elétrica é muito grande, esses painéis poderiam se transformar em fontes alternativas de energia. Outra aplicação das células orgânicas seriam em roupas com a colocação de placas solares.
Publicado por admin em 17 Fev 2009 | sob: ASSUNTOS DO DIA
Entrevistamos a nutricionista Daniela Wenzel, que na sua tese de doutorado, junto Faculdade de Saúde Pública da USP, procurou conhecer a realidade brasileira sobre o aleitamento materno. A população alvo desta pesquisa foram crianças com até um ano de idade, dividida em dois grupos, de zero a seis e de seis a doze meses. Entre os fatores que favorecem a amamentação está o fato de ter duas ou mais crianças menores de cinco anos no domicilio, ou seja, em função da experiência da mãe isso favoreceria o aleitamento materno. Outros fatores positivos, mãe de cor negra ou parda, alem de maior renda. Morar na área rural também é outro fator que ajuda o aleitamento materno. Já dentre os fatores negativos ao aleitamento materno está o uso de creches. A mãe trabalha longe das creches, alem das mesmas não estarem estruturadas para favorecer para que as mães, possam até deixar o leite materno para as suas crianças.
A pesquisa mostrou nas duas faixas etárias, que a maior prevalência de aleitamento materno está na região norte do Brasil. A menor prevalência foi da região sudeste e centro-oeste.
A nutricionista Daniela Wenzel destacou que um dos dados que chegou até a surpreender é que em todas as regiões do país o aleitamento materno vem crescendo.Paradoxalmente, apesar da região centro-oeste ser relacionada como a de menor prevalência do aleitamento materno, a pesquisa mostrou que foi onde o AM mais cresceu comparativamente a uma pesquisa anterior, realizada na década de oitenta.
Um dos aspectos que chamam a atenção está no fato de que considerando que até dez anos atrás, a região norte tinha índices alarmantes de mortalidade infantil, com a maior prevalência do AM, isso está mudando.
Publicado por admin em 16 Fev 2009 | sob: ASSUNTOS DO DIA
Muitas manicures não têm a menor noção dos perigos daqueles microorganismos que agridem as unhas. Na realidade, as pessoas que freqüentam os salões de beleza têm que estar preparadas para utilizar esses serviços. Por isso seria importante que as pessoas portassem um kit com sua lixa de unha, alicate, palito de laranjeira, a espátula, já que esses são os instrumentos que são compartilhados por dezenas de pessoas que freqüentam o salão de beleza. Esse foi o alerta dado pela médica dermatologista da Universidade de Brasilia, Dra Carmélia Reis. A seqüência do problema é o seguinte: chega o cliente no salão que tem o problema na unha, ele utiliza aquele material, sendo que aquele pó que fica no salão, é justamente o alimento para os fungos que contaminam as unhas. Alem disso, aquele “bife”, um sangramento no canto da unha podem se traduzir como porta aberta para a infecção, principalmente quando se trata de portadores de hepatites, HIV positivo que são doenças transmitidas através dessa metodologia. A médica Dra Carmélia Reis afirmou que mais de 80% das micoses diagnosticadas são nas unhas das mãos e dos pés, proveniente principalmente da falta de cuidados no tocante as pessoas terem o seu próprio material e não compartilhar com materiais de salão que podem estar infectados. A propósito, ela também afirmou que a literatura mostra casos de clientes de salões de beleza que se contaminaram com vírus das hepatites B e C, até mesmo do próprio vírus da AIDS.
A Dra Carmélia Reis, entrevistada do programa Trocando em Miúdos desta segunda-feira,dia 16, reafirma que muitas vezes a unha é um espelho de muitas outras doenças como a psoríase e tantas outras patologias. Não resta dúvida de que a doença mais comum é a micose, provocada pelos fungos.
Os calçados fechados, muitas vezes conspiram a favor das bactérias, por isso a dermatologista recomenda que os sapatos devem ter rodízio, com dois ou três pares por semana, sempre procurando permitir a limpeza e assepsia dos calçados.
Publicado por admin em 12 Fev 2009 | sob: ASSUNTOS DO DIA
A doença de Alzheimer foi descrita pela primeira vez em 1906, por um médico alemão chamado Alois Alzheimer e curiosamente na reunião clínica onde ele apresentou o caso o mesmo não foi nem mesmo incluído no livro feito a partir daquela reunião clínica. Posteriormente é que se constatou que o Dr. Alzheimer tinha apresentado um caso de uma nova doença. Até 1970 acreditava-se que a doença fosse forma de demência dos velhos, ou que muitos chamavam de caduquice ou esclerose até recentemente.
A doença de Alzheimer acomete os pacientes, mas tem uma repercussão muito grande nos familiares, bem por isso o Centro de Referencia para os Portadores da Doença de Alzheimer, do Hospital Universitário da UnB, tem sido uma referência no tratamento da doença, mas também no suporte aos familiares. Nós entrevistamos o médico responsável pelo setor, Dr. Renato Maia, que confirma os números dando conta que existem no mundo 25 milhões de pessoas portadoras da doença de Alzheimer, sendo que de acordo com o médico a tendência é de crescimento da incidência. O maior risco para a doença é a idade, a partir do momento que a população vive mais, mais casos aparecerão no mundo. O maior risco hoje está para as pessoas a partir dos 65 anos, 5% terão Alzheimer, sendo que a partir dos 80 anos, 30% terão a doença. A fase inicial da doença se caracteriza por grandes esquecimentos, como lembra Dr. Maia: ”a pessoa com Alzheimer não esquece aonde deixou a chave, esquece pra que serve a chave”. Não obstante o trabalho dos pesquisadores, não existe nenhum marcador para a doença seja no sangue ou no líquor, sendo que o diagnóstico é feito a partir da junção de dados de um exame de imagem, algum exame de sangue, mas de fundamental importância a avaliação clínica feita por um especialista. A propósito, Dr. Maia ressaltou que muitos médicos, sem o devido preparo, costumam afirmar que é Alzheimer algo que não é Alzheimer e muitas vezes deixam passar o diagnóstico por não estarem atento a doença. Apesar de não ter cura, o Dr. Renato Maia mostra-se otimista quanto a um avanço notável na área terapêutica, dentro de aproximadamente dez anos.
Publicado por admin em 11 Fev 2009 | sob: ASSUNTOS DO DIA
No programa Trocando em Miúdos, desta quarta-feira, dia 11, o professor de educação física Leopoldo Kasuki Hirama, da Faculdade de Educação Física da Unicamp, desenvolveu um projeto pedagógico na favela de Heliópolis na capital paulista ( são mais de 120 mil habitantes) com objetivo de conhecer a realidade de crianças e adolescentes. Para que o projeto pudesse ser realizado em tempo integral, o professor morou durante tres anos na própria favela, o que lhe permitiu ter contato direto com a realidade daquela comunidade. O projeto desenvolvido por Hirama, tinha como eixo principal o esporte. O pesquisador destaca que procurou agregar outros estimulos paralelamente ao esporte, com objetivo de um maior envolvimento. Por exemplo, a medida em que os participantes adquiriam dominio sobre as praticas, os mesmos eram promovidos a condição de monitores, o que conferia uma maior valorização aos que se aplicavam mais nas praticas. Esse monitores acabavam se transformando em referências importantes, não só na condição de atletas, mas de auxiliares dos professores envolvidos no projeto. O prof. Hirama percebeu que a comunidade queria uma continuidade desse projeto, o que se refletiu como estimulo para formação de uma equipe que pudesse competir. Um dos aspectos que foi objeto de investigação nessa pesquisa, foi perceber como os jovens trabalhavam a frustração diante das derrotas nas competições esportivas. Ao mesmo tempo em que muitos adolescentes davam um peso a essa frustração como decorrente da disputa, da mesma forma, o que chamoua atenção foi a consciencia dos jovens quanto a possibilidade de superar essa frustração com as disputas. O envolvimento das familias com o projeto, aconteceu a partir do instante em que os familiares perceberam o grau de envolvimento dos filhos com o esporte, o que significava que eles não estariam correndo riscos, caso estivessem na rua, sem nenhum objetivo.
A conclusão do estudo permitu levantar tres caracteristicas importantes, em se tratando de um projeto social com eixo no esporte. Um ponto diz respeito a continuidade de uma iniciativa que está sendo oferecida, ou seja, o esporte não pode ser visto meramente como atividade de recreação. Deu para perceber que os jovens tem interesse no esporte de conhecê-lo a fundo e aprender uma espécie de ofício, mesmo não se tornando profissionais. Finalmente um outro aspecto importante na conclusão do trabalho, diz respeito a relação professor/aluno, apontando para a necessidade que o educador tenha conhecimento da comunidade em que está inserido, podendo com isso entender melhor a dinâmica das relações com a comunidade.