CARNAVAL NA PERIFERIA DE SÃO PAULO.
Publicado por admin em 24 Fev 2009 | sob: ASSUNTOS DO DIA
Entrevistamos a administradora de empresa Nanci Frangiotti, que realizou o estudo “O espaço do carnaval na periferia da Cidade de São Paulo”, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. A Nanci entre 1989 e 1990 trabalhou na organização do carnaval de São Paulo. O que chamou a atenção da Nanci foi o esforço que as pessoas, principalmente da periferia, fazem no sentido de conseguir levar até a avenida o desfile da sua escola de samba. As principais escolas de samba, dos grandes centros, como Rio e São Paulo, criaram um carnaval profissionalizado com grandes espetáculos verticalizados, carros alegóricos grandes, mas o carnaval sobrevive mesmo por conta das pequenas escolas de samba. As escolas menores, dependem muito das suas comunidades, isso colabora para se trabalhar o ano todo. No Rio de Janeiro, a Cidade do Samba, é uma verdadeira indústria do carnaval, que fomenta o turismo o ano inteiro, se constituindo numa importante frente de trabalho. O trabalho de pesquisa da Nanci sobre o carnaval na periferia de São Paulo, segundo ela:”foi uma experiência muito rica, principalmente em termos de solidariedade e sociabilidade, já que a escola pequena depende muito da sua própria comunidade.” O que mais impressionou a pesquisadora foi que todo esse trabalho desenvolvido pela comunidade é voluntário, não só no período que antecede o carnaval, mas as festas que se fazem durante o ano, para manter a escola. O próprio espaço da escola, durante o ano, é cedido para outros eventos, tudo com objetivo de levantar recursos para a manutenção. Exceto por uma ocorrência recente sobre uma bala perdida que matou uma adolescente no Rio, no espaço das escolas de samba é muito raro qualquer preocupação com o tema segurança. A própria comunidade cria um código moral interno que se torna conhecido, existe um controle social interno e conseqüentemente o espaço fica preservado. O trabalho da Nanci Frangiotti foi feito junto a escola de samba de Perus, que é um bairro estigmatizado pela violência. Ela conta que tinha uma espécie de blindagem, ou seja, pelo fato de todo mundo no bairro ter conhecimento do trabalho de pesquisa, ela nunca foi incomodada ou sofreu qualquer tipo de ameaça, isso evidencia a existência de uma competente rede de informação, que permite um certo controle social no próprio bairro.