Entrevistamos a Profa. Helena Brandão da Faculdade de Educação Física da Unicamp, que realizou um trabalho de pesquisa sobre “sexualidade na velhice”. Foram ouvidos 1400 idosos, na região metropolitana de São Paulo e Campinas. A constatação é de que existe muitas dúvidas do idoso sobre o sexualidade ao longo do processo de envelhecimento. Como a pesquisa, na sua primeira parte, ouviu os jovens, eles também tem dúvidas de como será a sua vida sexual a partir da velhice. Segundo a pesquisadora, existem muitos mitos e dúvidas que precisam ser sanadas e discutidas com profissionais de saúde, para que o idoso também possa ter uma vida plena no âmbito da sexualidade. A professora Helena pondera que muitas vezes se evita de discutir sexo com idosos, como sendo algo desrespeitoso, o que de certa forma contribui para um processo de marginalização, como se o idoso não tivesse uma vida sexual, ignorando que essas pessoas tenham desejos sexuais, alem da propria possibilidade de manter uma vida sexual ativa. Quando se trata de viúvas, por exemplo, de acordo com a pesquisadora, a situação é ainda pior, já que ela tem toda a questão da preservação social, o que a leva ter vergonha de fazer perguntas a profissionais da saúde sobre questões ligadas a sexualidade, seja a perda de libido ou até mesmo a questão de ressecamento vaginal. Ainda com relação a mulher viúva, também ela se depara com a dificuldade quanto a aceitação das pessoas até mesmo da famíia, quanto a necessidade de tentar refazer a sua vida. Nesse sentido, os viúvos levam maior vantagem, já que não existe tanto preconceito quanto com relação a mulher. Helena Brandão frisa ainda que myiras vezes, quando uma mulher com 60 ou 70 anos, aparece com um namorado, ela praticamente é ridicularizada perante determinadas pessoas, tendo muitas vezes que enfrentar um preconceito social para poder vivenciar a sua afetividade nessa fase da vida. Nesse trabalho de pesquisa foi possivel detectar que tanto a religião como a família mais conservadora acabam se constituindo como a grande castradora do sexo. Muitas idosas entrevistadas demonstraram um pensamento incutido pelo dogma religioso, no sentido de colocar o sexo como sendo uma coisa feia, pecado e que até mesmo no casamento tiveram dificuldade de se libertar desses preconceitos e tabus para que pudessem ter uma vida plena e feliz com o próprio marido. Perguntei a pesquisadora Helena Brandão sobre quem estaria melhor informado sobre sexo, se o homem ou a mulher? A pesquisadora afirmou que o homem tem mais liberdade para tirar suas dúvidas com profissionais da saude sobre o seu funcionamento sexual, ele teria menos vergonha e conversam mais entre sí, mas conhece pouco sobre a sexualidade da mulher. Enquanto que a mulher também conhece pouco sobre o homem, notadamente pela dificuldade em tratar sobre o tema. Helena conheceu muitos casais de idosos que levam uma vida sexual plena e feliz, mas isso não reflete a maioria. Existe uma tendência sempre de se atrelar a sexualidade ao ato sexual, para a pesquisadora isso ocorre por ser um assunto pouco discutido. A própria literatura fala que o sexo é tão proibitivo que todo mundo fala nele, só que fala atrás da porta ou às escuras. Helena conta da resistencia que encontrou até mesmo quando se apresentava para palestras sobre o tema, em que algumas reações colocavam em dúvida sobre o que os idosos iriam achar do tema. A sexualidade não é abordada de forma natural, isso acaba se refletindo em resistências e bloqueios.