Entrevistamos no programa de hoje a cientista social Márcia Jardim, que na sua tese de doutorado defendida junto ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, mediu o impacto que a televisões legislativas tem na imagem dos parlamentares. Se por um lado, inicialmente era objeto do trabalho medir o impacto que as TVs legislativas tem no comportamento dos parlamentares, de outra parte os resultados foram surpreendentes. O que mais surpreendeu no trabalho de pesquisa que Marcia Jardim realizou junto a deputados e vereadores, foi de que para 98% deles, a televisão contribuiu para que eles mudassem sua imagem. A pesquisa investigou quais as mudanças de comportamento que foram registradas nos parlamentaress, sendo que para 47% deles as mudanças foram positivas, no sentido de estimular uma postura de maior responsabilidade diante do mandato. Márcia Jardim interpretou as informações como uma preocupação dos parlamentares no sentido de melhorar o conteúdo dos seus discursos, como também cuidar da sua própria postura nas sessões legislativas. Quanto a preocupação de qualificar o discurso, ou seja, saber aquilo que estava sendo dito, nesse sentido muitos deles procuraram fazer cursos de oratória, cercando-se de assessores técnicos que preparassem os discursos para que a representação em plenário fosse a mais satisfatória possível. Márcia Jardim pondera que na realidade a atividade parlamentar exige um preparo por parte de quem se elege deputado ou vereador, o que nunca acontece por parte dos partidos, na hora de escolher os candidatos. Muitos são eleitos sem a noção de como apresentar um projeto, como fazer para que o seu projeto passe pelas comissões, com defesa convincente por parte do parlamentar. Com a preocupação das TVs legislativas em dar uma maior transparência ao processo legislativo, isso implica em grande exposição dos próprios parlamentares
O início das televisões legislativas se deu no final da década de oitenta, inicialmente por meio das TVs a cabo e com abrangência bastante restrita, ou seja, apenas para os assinantes. Mais tarde, mediante as grandes repercussões que as CPIs tiveram junto ao grande publico, isso estimulou iniciativas de vários legislativos estaduais e municipais, no sentido de terem o seu próprio canal de televisão.
A cientista social Marcia Jardim alerta no entanto, que se por um lado essas emissoras de televisão oferecem maior transparência sobre o que está acontecendo no legislativo, ela pode também ser usada como uma vitrine pelo parlamentar. Justamente neste ponto é que torna-se importante o papel do cidadão no sentido de não permitir que essas emissoras não sejam alvo de um mau uso por parte dos próprios parlamentares.
A partir de 2000 a expansão dos canais legislativos tem-se dado de forma impressionante e que hoje não se limitam mais a TV por assinatura. Várias emissoras estão na internet, por meio de Web TV. Marcia reconhece que mesmo com o crescimento dessas emissoras, a audiência quanto às sessões deliberativas ainda é muito baixa. Por outro lado, a pesquisadora reconhece a importância das transmissões se darem ao vivo, sem corte, isso implica em maior constrangimento por parte do parlamentar, que vai pensar duas vezes antes de falar e também com seu próprio papel de representante do povo.
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