CASEIRO NÃO É CRIADOR DE CASOS.



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Já tem uns vinte anos que se arrasta na justiça uma demanda de um ex-caseiro contra um tio. Na ação o caseiro chegou a alegar até direito a terra por uso capião. Por conta desse fato, meu tio cunhou a frase de que “caseiro seria um criador de casos”. Reportando-me ao caseiro Francenildo, esse não, não foi ele que criou o caso. Aliás, o caso foi criado por figuras do primeiro escalão do governo, que quebraram o sigilo bancário desse caseiro que não tinha nem terno pra comparecer a audiência do STF e cujo resultado foi extremamente desalentador pra todos que ainda acreditam na justiça. Não se trata meramente da constatação, como do ministro Marco Aurélio Mello, segundo o qual “a corda acabou estourando do lado mais fraco”. O STF acabou reeditando o mal fadado Conselho de Ética do Senado, quando este decidiu engavetar as ações contra o Sarney. A decisão do Senado, apenas contribuiu para que o povo continuasse desacreditando dos políticos, que se esmeram cada vez mais em transformar a esperança em bem de consumo. Agora, dos juristas pertencentes a mais alta Corte da nação, bem aí a coisa é muito mais séria, pois estamos falando de justiça. O desalento se instala como aquele de Alceste, com a sociedade hipócrita na peça O Misantropo de Molière que tem uma frase que casa bem com o atual momento:”Tenho por mim a justiça e perco o meu processo!” Essa foi a conclusão a que deve ter chegado o humilde caseiro, que tem vivido como se fosse um grande vilão. Voltaire numa frase do seu Tratado Sobre a Tolerância talvez sirva para reproduzir o estado de espírito de quem ficou do lado mais fraco da corda: “Só eu posso inspirar a justiça, quando as leis inspiram apenas a chicana.”

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