Quinta, 17 de Setembro de 2009

Arquivo Diário

CLIENTE MORTO NÃO PAGA.

Publicado por admin em 17 Set 2009 | sob: ASSUNTOS DO DIA

O diretor Carl Reiner resolve prestar uma homenagem ao cinema noir, pra tanto lançou esta comédia, cujo papel principal é desempenhado por Steve Martin. Ele vive um detetive, uma espécie de Bogart às avessas, que é contratado por uma rica herdeira para investigar a morte do pai, num acidente automobilístico. Por falar em cliente e acidente, a Câmara dos Deputados realizou hoje uma audiência publica para discutir um sistema que visa reduzir acidentes de consumo. A panela de pressão explodiu e queimou parte considerável do corpo de uma dona de casa. Aquela cadeira de plástico quebrou e com a queda aquele senhor sofreu uma fratura de fêmur. A criança brincava com a boneca e acabou intoxicada por agentes químicos. Todas essas situações evidenciam acidentes de consumo. Infelizmente, o Brasil não possui tradição estatística, assim sendo não dá pra dimensionar o tamanho do problema. Já nos Estados Unidos mesmo sem SUS o governo tem prejuízo anual na ordem de 700 bilhões de dólares, imagine então como seria a coisa por aqui. O que se discute na Câmara dos Deputados é um projeto que estabelece a criação de um sistema que permite o registro de atendimentos médicos feitos em hospitais, ambulatórios, postos de saúde e pronto-socorros. Pelo projeto cada unidade de saúde terá que informar trimestralmente o numero de pessoas atendidas por conta de acidentes provocados por produtos ou serviços, considerados como acidentes de consumo. É o Sistema Nacional de Controle de Acidentes de Consumo (Sinac), criado através do projeto de autoria do deputado Dimas Ramalho do PPS-SP. O projeto é importante, principalmente pelo fato de não existir nenhum mecanismo de controle social dos acidentes ocorridos por defeitos em produtos e serviços, não obstante possuirmos uma legislação que trata de saúde e segurança, mas que é omissa quanto à relação de consumo. Quem sabe, as empresas ainda aprendem que o ativo mais importante e que não aparece em nenhum livro-caixa é o cliente. Quando isso acontecer, melhora substantivamente o padrão de relacionamento entre o consumidor e a empresa. Afinal de contas cliente morto não compra.

MUITO BARULHO POR NADA.

Publicado por admin em 17 Set 2009 | sob: ASSUNTOS DO DIA

A peça de Shakespeare já ganhou adaptação para o cinema através do filme de Kenneth Branagh. Mas na verdade quero falar sobre um tema que foi objeto de entrevista no meu programa com a anestesista Cristiane de Souza, a dor. Tem gente que se julga patife para qualquer tipo de dor, já outros são capazes de suportá-la. Na verdade a dor, seja ela aguda ou crônica, faz parte de uma síndrome patológica. A dor passa a ser a doença quando atingir um espaço de tempo maior do que três meses, quando então é necessário um tratamento especializado. A dor aguda , é dor auto-limitada que acompanha uma doença ou patologia de menor gravidade, como dor de dente e até uma dor de uma apendicite aguda, que com o procedimento cirúrgico se resolve. Já a dor crônica, vem de uma doença mais lenta e que o tratamento é paliativo, como por exemplo uma fibromialgia e enxaqueca que são os fatores determinantes para a esse tipo de dor. A automedicação pode mascarar um problema mais sério com relação a dor. Quando se toma uma medicação para a dor de forma repetida e freqüente, deve-se procurar o medico. A característica de repetição e duração prolongada, fala de um processo crônico, encobrindo até mesmo uma doença de tratamento imediato.
Existe um despreparo de médicos para o tratamento da dor, já que nem na graduação o profissional recebe um destaque sobre as síndromes dolorosas. O médico muitas vezes não valoriza as queixas secundárias, como as dores que um paciente apresenta. Tudo pelo fato de que a crença de que a dor faria parte de uma doença, com isso aceitando a dor. A dor pode ser a porta aberta para um problema muito mais serio do que se imagina. Uma dor pós-operatória, que não foi bem tratada, pode produzir uma memória no sistema nervoso, relativa à dor do quadro operatório. Já o tempo de uma consulta, muitas vezes não possibilita um levantamento mais detido sobre o paciente, comprometendo a avaliação e investigação de uma síndrome dolorosa. Uma boa investigação pressupõe uma conversa demorada sobre hábitos de vida, o que o paciente sente e o exame físico, que também é demorado. Fica difícil mensurar a dor já que ela é subjetiva. Existem várias escalas para mensuração da dor, desde a avaliação da mímica, da face, até escala numérica de 0 a 10. Dor é um sintoma muito complexo. É possível que uma pessoa que sinta dor, não venha a corresponder onde o problema está instalado, é a dor referida, já que algumas terminações nervosas tem localizações distantes, porem a mesma origem. Como bem expressou Shakespeare em Muito Barulho por Nada: “Todo mundo é capaz de dominar uma dor, com exceção de quem a sente.”