O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON.



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Enquanto ouvia a trilha sonora de Alexandre Desplat composta de forma criativa e instigante, para este filme, aproveitei pra visitar o seu site. Tive então a oportunidade de ouvir uma entrevista de Desplat para Olivier Bellamy da Radio Classique da França. Ele falou sobre a experiência de trabalhar pela primeira vez com o seu compatriota o cineasta Jacques Audiard, premiado em Cannes,neste ano com o filme UN PROPHETE, que conta a história de um jovem árabe que acaba preso por envolvimento com a maffia, mas revela ter poderes proféticos. Desplat explicou a sua sistemática de trabalho, já que teve a oportunidade de acompanhar de perto as filmagens e estruturar uma música de acordo com os personagens, a fotografia e a montagem do filme. Mas a grata surpresa nesta entrevista ficou por conta da admiração que o compositor revelou com relação a musica brasileira, mais especificamente a bossa-nova, que entrou para a sua vida, quando tinha catorze anos, se encantando com as musicas de Jobim, interpretadas por João Gilberto e Nara Leão. Interessou-se pelo violão, onde procurava deixar os clássicos de lado e explorar mais a musicalidade da bossa-nova, tentando assimilar aquela batida característica. Ficava encantado com os vocalistas brasileiros. Depois dessa declaração de amor à bossa-nova, Desplat ganhou ainda mais a minha simpatia, eu que o considero como uma das gratas revelações da música no cinema. Desde Georges Delerue e Michel Legrand que a França não oferecia ao mundo do cinema um compositor de trilhas tão eclético, criativo e melodioso, como Alexandre Desplat. Sua trajetória de compositor de trilhas começou em 1985, com 114 trilhas compostas até o momento, mantém uma média quatro trilhas ao ano, o que representa um ritmo de produção de um compositor extremamente requisitado. Alexandre Desplat revelou nesta entrevista uma admiração quanto ao trabalho do compositor Georges Auric, que alem de um grande nome da musica erudita francesa, também foi um nome de enorme respeito da música no cinema. Desplat tem todas as condições de se transformar no Auric do século XXI. É um compositor que revela profundo respeito para com as orquestras, não se curva diante dos sintetizadores, isso representa um alento para os amantes da boa música no cinema. Desplat é mais que um compositor ele é um arquiteto da musica no cinema.

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