Escrevo embalado pela bonita trilha sonora de David Mansfield para o filme de 1987, dirigido por Michel Cimino, adaptado da obra de Mario Puzzo. O filme narra à trajetória do bandido siciliano Salvatore Giuliano, interpretado por Christopher Lambert, num dos melhores desempenhos da sua carreira até aqui. Esse siciliano ousou enfrentar a igreja católica, governo e máfia, tudo na expectativa de tornar a Sicilia independente. O filme não emplacou, já que a narrativa de Cimino foi arrastada e profundamente enfadonha. O melhor do filme está na música, com uma trilha pontuada por acordes belíssimos, de autoria de David Mansfield. Este compositor, que já havia impressionado por trabalhos anteriores, como em HORAS DE DESESPERO e O ANO DO DRAGÃO, tem sido profundamente injustiçado pela industria cinematográfica. A rigor, faltou no seu currículo uma grande produção que pudesse oferecer maior visibilidade ao seu trabalho. Até aqui o único prêmio mais importante que conquistou como compositor de trilhas foi o Leão de Ouro de Veneza pela música do filme VERMELHO SANGUE, de Arturo Rupstein. Ele acabou de compor a trilha sonora para um documentário sobre trabalhadores em minas, BONECRUSHER, de Mike Fountain. Adepto da música de raiz americana, ele foi um dos membros fundadores da The Alpha Band e da “Bruce Hornsby and The Range”. Com a trilha sonora de O SICILIANO, o compositor David Mansfield mostrou competência principalmente quando se trata de construir tensão dramática através da música. Essa trilha encontrei ao acaso, num dos sebos do Village em Nova Iorque, bem por isso a considero uma autentica relíquia musical. O que impressiona nesse trabalho de Mansfield é sua capacidade de produzir uma trilha dotada de uma racionalidade que permite entrar no personagem central da história e transformar tudo numa fantasia musical de grande expressividade.
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