A ETERNIDADE E UM DIA.



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O cineasta Theo Angelopoulus está sendo homenageado na Mostra de Cinema de São Paulo com a exibição de vários de seus filmes. Foi por ocasião do seu filme A ETERNIDADE E UM DIA, que mostra a trajetória de um homem com doença terminal, preocupado com o destino de uma criança albanesa, vítima da guerra no seu país, que conheci a musica de Eleni Karaindru. Esta compositora grega estudou piano e teoria musical em seu país, mas foi em Paris que ela se especializou, estudando a origem étnica da música alem de orquestração e regência. De volta a Atenas, fundou um laboratório para instrumentos tradicionais e também tem se dedicado a sua carreira de compositora de trilhas. O que chamou minha atenção por conta do trabalho musical de Eleni foi que ela não produz uma trilha com função meramente de acompanhamento e muito menos de funcionalidade. Ela transcende quando sua proposta musical assume um papel importante no contexto da narrativa cinematográfica. É como se a música assumisse o estado de espírito do personagem central. Não importa se os andamentos são longos, sua trilha tem um caráter rigorosamente excepcional. Quando você menos espera é contemplado por uma melodia cativante, capaz de grifar uma cena, determinada passagem do filme. Sua música fica entranhada na mente, depois do filme, você é capaz de involuntariamente sair assoviando um pedacinho da música, aquele trecho que mais tocou o inconsciente. Eleni Karaindru tem a felicidade de trabalhar com cineastas que oferecem liberdade para que ela se expresse livremente através da música e com isso preencha aqueles espaços do filme que merecem uma música que ela possa manifestar os seus próprios sentimentos. Alias, parece que Eleni Karaindru trata a câmera como se fosse um instrumento, por isso que os méritos são bem divididos, cena e música convivem pacificamente e os nossos ouvidos e sensibilidade agradecem.

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