Considerando que em vinte e cinco anos de carreira, foram oito filmes, por certo você achará muito pouco. Em se tratando de Valério Zurlini, não é, principalmente pelo fato de que ele nunca se curvou as regras do mercado e sua obra mantêm um elevado nível artístico e sobretudo ético. Em março deste ano, foi realizada uma mostra e uma retrospectiva da obra de Valerio Zurlini, na cidade italiana de Parma, no palacete Eucherio Sanvitalle a exposição de textos e material das locações de seus filmes, sendo que a produção cinematográfica foi exibida no cine Astra. Zurlini formou-se em direito, mas nem chegou a exercer a profissão, foi direto para o cinema onde iniciou com curtas metragens, para firmar-se em oito longas da melhor qualidade. Dentre eles, O DESERTO DOS TÁRTAROS, transposição para a tela do romance do jornalista Dino Buzzati. A figura central tem o tenente Drogo, interpretado por Jacques Perrin, que também é um dos produtores do filme. Ainda figuram no elenco, Vittorio Gassman, Giuliano Gemma, Philippe Noiret, Fernando Rey,Jean Louis Trintgnant e Max Von Sydow. O jovem Drogo chega ao Forte Bastiani, localizado numa longínqua região de fronteira. Internamente o forte tem o aspecto de um hospital psiquiátrico, por fora uma frieza que combina com a atmosfera do entorno. Os personagens ficam numa região fronteiriça entre a realidade e loucura, alguns são atraídos e caem nas garras da irracionalidade. Em meio à narrativa densa de O DESERTO DOS TÁRTAROS, surge como um Oasis a música de Ennio Morricone, que sustenta as cenas na ausência de diálogos, conferindo um papel de extrema funcionalidade a narrativa. Este é um daqueles filmes que é prato cheio para intensos debates, principalmente no âmbito do perfil psicologico dos personagens.
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