ABISMO DE UM SONHO.



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Certa vez, numa entrevista o cineasta Federico Fellini afirmou: “o colaborador mais valioso de todos era Nino Rota. Entre nós estabeleceu uma integração total desde Abismo de Um Sonho. Nossa integração foi interessante: eu tinha decidido ser diretor, e Nino era uma premissa para que continuasse a sê-lo. Tinha uma imaginação geométrica, uma visão musical das esferas celestes, para quem não havia necessidade de ver as imagens de meus filmes.” Ao ser indicado para concorrer ao Oscar pelo seu trabalho em O PODEROSO CHEFÃO, circulou rumores de que Rota já tinha usado a música em outro filme. Um diretor da academia foi consultá-lo a respeito e recebeu a resposta de que Rota tinha usado os acordes em OS PALHAÇOS, filme de Fellini feito para a televisão em 1970. Bem, parece que se isso foi verdade, Rota se esqueceu de que em 1958, por ocasião do filme de Edoardo de Felippo FORTUNELLA, estrelado por Alberto Sordi e Giulieta Massina ele já utilizaria os acordes de IL PADRINO. O ritmo da música de Rota tem a capacidade de tocar a nossa alma, enquanto tempera imagens memoráveis. Mesmo que determinadas produções não tivessem a capacidade para impressionar o público, sua música marcava presença de forma discreta, mas profundamente envolvente. Ele fazia questão de rotular sua música de marginal, mas ela tinha uma funcionalidade rigorosamente impressionante. Nino Rota nasceu no dia 03 de dezembro de 1911 em Milão e quando se preparava para compor a trilha sonora do filme CIDADE DAS MULHERES, de Federico Fellini, sofreu um fulminante ataque cardíaco que interrompeu uma trajetória notável dentro da música no cinema.

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