Em 1988 nas dependências do TUCA em São Paulo, por ocasião da projeção do filme IRONWEED, tive a oportunidade de colher um rapido depoimento de Hector Babenco para o meu programa A Música no Cinema, da Rádio Universitária (www.universitariafm.ufu.br). Perguntei-lhe sobre a ausência da música no filme IRONWEED, mas naquela época, ainda não tinha a percepção clara da importância que uma trilha, tipo sacrificio ( a música entra no ultimo instante) exerce no contexto da narrativa. Mais tarde, quando Babenco foi entrevistado no programa Roda Viva, mandei-lhe a minha pergunta , daí sobre a importância do trabalho do polones Zbigniew Preisner para BRINCANDO NOS CAMPOS DO SENHOR. Foi quando Babenco se deteve por mais tempo a uma resposta, pois segundo ele, nunca havia visto nada parecido. Com objetivo de propiciar maior refinamento e pertinência a um solo de oboé, o compositor fêz questão de extrair o som do instrumento, a partir de uma gruta, exalando uma certa primitividade. Babenco valoirozu, sobremaneira, o grande estoicismo de Preisner no sentido de imprimir uma sonoridade extremamente pertinente com aquilo que a cena pedia. Esse é apenas um dos exemplos do papel que a música desempenha para dar um sentido especial a uma cena, bem como ao próprio filme. Babenco nasceu em Mar Del Palata, Argentina, mas tem cidadania brasileira. Aliás, sua identidade com o Brasil é que levou-o a trabalhos brilhantes como em BRINCANDO NOS CAMPOS DO SENHOR e CARANDIRU. Hoje Babenco está completando 64 anos.